Friday, December 28, 2007

2008

O que eu quero:
- sentir-me realizada
- que as pessoas percebam de uma vez por todas a finalidade dos ecopontos (as couves não se reciclam….)
- fazer voluntariado
- voar
- continuar a reivindicar
- continuar a dançar
- aproveitar a companhia das pessoas que me são queridas
- ser feliz

2007

O melhor:
- a dança
- os novos amigos
- os amigos de sempre
- a despenalização do aborto
- conhecer Madrid
- ganhar asas

O pior:
- o trabalho
- caras feias
- cirque du soleil
- Salazar como o "Grande Português"
- os gritos da miúda do 1º andar
- acordar com chuva na cama

Wednesday, December 12, 2007

Combibio no Painel

Na passada 5ªf a malta da Desejo Sem Limites decidiu que passava muito tempo em frente ao computador, não convivendo com os colegas, e uma vez que passam a grande maioria dos dias uns com os outros, porque não aproveitar parte desse tempo no que realmente interessa?? Assim sendo, e na continuação da viagem gastronómica do Carlos por Lisboa, achei que seria interessante irmos a uma das melhores catedrais de comes e bebes da cidade: o Painel de Alcântara. 5ªf é o dia das pataniscas com arroz de feijão e devo dizer que há bastante tempo que não saboreava umas tão boas. O restaurante estava cheio de homens histéricos que debatiam o jogo de futebol do momento, não me perguntem qual. O sexo feminino estava representado por uma mesa de 4 mulheres onde estava a nossa amiga superstar Bárbara Guimarães, que jantava com mais 3 amigas que esfumaçavam como autênticas chaminés e que falavam alegremente de festas e afins. Homens e Mulheres no seu melhor. No meio destes debates intelectualoides, lá estávamos nós a tirar fotos tipo turista que vem à cidade pela 1ª vez, com o telemóvel do Pedro, como se pode notar pela qualidade
das mesmas. Foi giro e é de repetir, sim senhor. Bendito Painel que nos juntáste.



Monday, December 10, 2007

Thursday, December 6, 2007

GANHAR ASAS - FIM

São impressionantes os laços que se criam em apenas 2 dias.
Foram dois dias muito especiais e de grande proximidade onde pude contemplar o lado humano na sua plenitude. Parecendo que não, estamos tão centrados em nós próprios, no nosso dia-a-dia, na nossa normalidade, constantemente confrontados com imagens de assaltos, homicídios, guerras, raptos, desemprego, desonestidades e afins, que não nos apercebemos que as pessoas têm muito mais para dar.
E é tão fácil. Basta por vezes um sorriso, uma palavra na altura certa, um gesto, um olhar.

Obrigada a todos por me terem dado força e me terem ajudado a superar a minha fobia. Não digo que esteja totalmente curada mas já foi um passo importante. Da próxima vez que voar a ansiedade será com certeza menor, para aí um 2.

E hei-de chegar ao 0 Dr.ª Íris.

Ganhar Asas – IV PARTE

“Inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”

A seguir ao almoço fomos para o aeroporto. Eram 14h15 e estava quase na hora do embarque. Tirámos fotografias de grupo no aeroporto com as nossas passagens e lá fomos todos contentes para a porta nº16. Qual o estado de ansiedade de 1 a 10, perguntava a Dr.ª Íris. Durante a terapia estive sempre no 2 mas naquele momento a coisa estava a fugir para o 3, hum…4.

Entrámos no avião e fomos alegremente cumprimentados pela tripulação que já sabia para o que íamos. Era um voo normal e não ia cheio. Apertar os cintos, respirar e siga. A descolagem é sempre o momento mais delicado, tinha as pernas a tremer. E pronto, estávamos a voar. Começámos a descontrair, a falar uns com os outros, a apreciar a vista. A equipa técnica foi toda connosco: o Comandante João Romão, a Dr.ª Cristina, a Dr.ª Iris e o Paulo, assistente de bordo. Transmitiram-nos todos muita força e muita tranquilidade.
Assim que a luz de apertar os cintos apagou, o Paulo disse-nos para nos levantarmos e andarmos um pouco. Levou alguns de nós à casa-de-banho para nos familiarizarmos com os barulhos e com as luzinhas (a Ana, uma das minhas colegas da terapia, sempre que viaja não vai à casa-de-banho e já chegou a aguentar 8h com a bexiga cheia).

Era engraçado observar o ar perplexo dos outros passageiros. Parecíamos uma excursão de putos, a falar uns com os outros, a andar pelo avião, a tocar nos botões, a ir e vir da casa-de-banho. Às tantas, eu que quando viajo vou sempre sentada com o cinto posto, ponho-me de joelhos em cima da cadeira e viro-me para trás para a cavaqueira. Senti-me mesmo feliz e descontraída. Eu de joelhos numa cadeira do avião. Quem diria?
A viagem passou a correr, foi basicamente descolar e aterrar. Ainda fomos ao duty free do aeroporto de Madrid comprar algo que comprovasse termos lá estado – para os mais incrédulos. Comprei um pack com 6 Toblerone. Estivemos lá 20 minutos e voltámos para Lisboa. A viagem também correu muito bem e vínhamos todos bem-dispostos. A aterragem em Lisboa foi fenomenal e estava calma, o que me permitiu apreciar a beleza da cidade à noite.

Pela 1ª vez voei descontraída e soube apreciar o momento.

Ganhar Asas – III PARTE

É Sábado e o despertador toca às 7h. Acordo para o grande dia.
Está um dia lindo e estou bem-disposta, pronta para enfrentar a etapa final da minha terapia: a viagem a Madrid.
Às 9h já estamos todos juntos para uma sessão de esclarecimento com o responsável pela manutenção dos aviões. Os aviões são sujeitos a uma manutenção minuciosa. São feitas manutenções diárias, de rotina, e mensalmente o avião é literalmente todo descascado. Tudo é cautelosamente verificado até ao último parafuso. E é compreensível. Uma companhia de aviação não se pode dar ao luxo de ter um acidente pois isso significa o seu fim.

Há medida que as horas vão passando, a ansiedade começa a aumentar mas está tudo sob controlo “inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”
Após o curso de engenharia mecânica, falamos um pouco com a Joana, hospedeira da Tap, que nos tranquiliza com o seu amplo sorriso. Estava um pouco triste pois não ia poder voar connosco por estar constipada, o que não é de todo aconselhável para os ouvidos. Melhor não arriscar.

A seguir à Joana veio o simulador. Um brinquedo fantástico. Qual playstation qual quê. Os pilotos têm a sua formação neste brinquedo e a simulação é bastante real. Não estava à espera da ansiedade que senti lá dentro, “inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”
Fizemos uma descolagem e aterragem, apanhámos chuva, granizo, turbulência, momento em que o “avião” abanou por todos os lados. Dizia o Comandante que aqueles tremelicos não são nada comparativamente com o que a natureza consegue fazer. Acho que foi aí que senti a minha ansiedade ao rubro. Aquilo para mim já era mais que suficiente. “É desconfortável mas não é perigoso” – pensei.

Sai do simulador abananada. Ouvia toda a gente a comentar que foi um espectáculo, muito louco e eu só pensava que, se me senti assim num simulador, então no avião…mas nada de antecipar o momento. Primeiro o almoço.

Tuesday, December 4, 2007

Ganhar Asas – II PARTE

Passada a timidez do momento, já todos falávamos uns com os outros como se nos conhecêssemos há anos. Foi um dia teórico mas bastante elucidativo. De manhã a Dr.ª Cristina ajudou-nos a perceber um pouco melhor o que é uma fobia e como lidar com ela. Basicamente toda a gente sente medo e já passou por estados de ansiedade quando confrontados com perigos reais. Uma fobia é o auge da ansiedade sem que se tenha verificado um perigo real. É a nossa cabecinha a sofrer por antecipação.

Depois de um almoço num refeitório imenso cheio de trabalhadores que nos miravam com aquele olhar “mais-uns-que–vieram-ganhar-as-asas”, lá partimos mais aconchegados para a nossa conversa com o Comandante João Romão. Uma conversa que por sinal quase nos levava a tirar o brevet. Acho que o Comandante foi uma das nossas principais vitimas, coitado. Toda a gente queria perceber como é que um objecto que pesa toneladas consegue voar. Lei da sustentação, explicava ele. E a turbulência é normal? Sim, é desconfortável mas nada perigoso. E o avião consegue aterrar sozinho? E como estão presos os reactores? Aguenta 3h só com um motor? E isto, e aquilo, durante quase 2h.

Depois destas perguntas todas só mesmo umas técnicas de relaxamento. Foi a vez da Dr.ª Íris que quebrou o nosso cepticismo: “Mas isso da respiração funciona mesmo?”. E não é que funciona? Fomos completamente alucinados para casa. Falo por mim. Nesse dia tive um jantar em casa de uns amigos e a sensação era estranhíssima. Eu estava sentada à mesa mas era só o meu corpo que lá estava porque a minha mente estava a divagar pelo nada. Não, não fumámos nada na terapia. As técnicas de relaxamento são realmente eficazes. Se algum dia se sentirem ansiosos experimentem respirar para dentro de um saco de papel. Tapem bem a boca e o nariz com o saco e respirem pela boca. Vemos esta cena constantemente em filmes mas nunca parámos para pensar. Porque raio é que aquele está a soprar para um saco? O que se está a fazer é a equilibrar os níveis de O2 e CO2. Em estados de ansiedade os níveis de CO2 tendem a baixar. Ao respirarmos para dentro do saco estamos a recuperá-los.
Olhem que não é ficção, funciona mesmo.

Monday, December 3, 2007

Ganhar Asas – I PARTE

No dia 23 de Novembro, uma 6ªf, lá estava eu às 8h30 em ponto, na recepção da TAP, pronta para combater a minha única fobia (que eu saiba), a de voar. Sim, o meu pai é piloto e sim comecei a voar aos 6 anos num C-130 daqueles de carga que tremem por todos os lados, mas uma fobia é assim mesmo, aparece quando menos se espera e chateia.
Fui uma das primeiras a chegar e estava relativamente calma.
Aos poucos foram chegando os restantes fóbicos e às 9h já estávamos todos metidos numa sala com as mesas dispostas em U. Senti-me nos AA, “Olá, eu sou a Ana e tenho medo de voar.”
Éramos 10 a partilhar os nossos mais íntimos estados de alma. O Paulo, 56 anos, que já não voava há 25 e que estava no programa por incentivo da filha que queria passar o ano novo em Cabo Verde. A Augusta, 35 anos, que veio de Faro e que já não voava há 12 pois tinha receio de ter um ataque de pânico no avião e de não disporem de meios para a controlar. O Florival, 48 anos, que tinha chegado do Brasil no dia anterior (tem lá casa), mas que não gosta de voar pois apanha sempre turbulência e ainda são 8h de viagem. Sempre que voa deixa uma carta à mulher e à filha, just in case. A Isabel, 40 anos, que veio do Porto com o marido, para o seu baptismo de voo: só de pensar nisso ficava nervosa. A Cristina, também com histórico de ataques de pânico, que não voava há 15 anos. O Pedro e a Ana, que voavam mas obrigados, por motivos profissionais. E finalmente as duas Teresas, uma delas tinha posto um pacemaker há coisa de 3 anos e tinha receio de vir a precisar de assistência dentro do avião e a outra Teresa não se sentia confortável em viagens de longo curso.

Tínhamos todos um só objectivo: voar.