Thursday, December 6, 2007

Ganhar Asas – III PARTE

É Sábado e o despertador toca às 7h. Acordo para o grande dia.
Está um dia lindo e estou bem-disposta, pronta para enfrentar a etapa final da minha terapia: a viagem a Madrid.
Às 9h já estamos todos juntos para uma sessão de esclarecimento com o responsável pela manutenção dos aviões. Os aviões são sujeitos a uma manutenção minuciosa. São feitas manutenções diárias, de rotina, e mensalmente o avião é literalmente todo descascado. Tudo é cautelosamente verificado até ao último parafuso. E é compreensível. Uma companhia de aviação não se pode dar ao luxo de ter um acidente pois isso significa o seu fim.

Há medida que as horas vão passando, a ansiedade começa a aumentar mas está tudo sob controlo “inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”
Após o curso de engenharia mecânica, falamos um pouco com a Joana, hospedeira da Tap, que nos tranquiliza com o seu amplo sorriso. Estava um pouco triste pois não ia poder voar connosco por estar constipada, o que não é de todo aconselhável para os ouvidos. Melhor não arriscar.

A seguir à Joana veio o simulador. Um brinquedo fantástico. Qual playstation qual quê. Os pilotos têm a sua formação neste brinquedo e a simulação é bastante real. Não estava à espera da ansiedade que senti lá dentro, “inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”
Fizemos uma descolagem e aterragem, apanhámos chuva, granizo, turbulência, momento em que o “avião” abanou por todos os lados. Dizia o Comandante que aqueles tremelicos não são nada comparativamente com o que a natureza consegue fazer. Acho que foi aí que senti a minha ansiedade ao rubro. Aquilo para mim já era mais que suficiente. “É desconfortável mas não é perigoso” – pensei.

Sai do simulador abananada. Ouvia toda a gente a comentar que foi um espectáculo, muito louco e eu só pensava que, se me senti assim num simulador, então no avião…mas nada de antecipar o momento. Primeiro o almoço.

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