Thursday, December 6, 2007

Ganhar Asas – IV PARTE

“Inspira, expira…inspira, expira… inspirar coisas boas e expirar coisas más…inspirar coisas boas e expirar coisas más…”

A seguir ao almoço fomos para o aeroporto. Eram 14h15 e estava quase na hora do embarque. Tirámos fotografias de grupo no aeroporto com as nossas passagens e lá fomos todos contentes para a porta nº16. Qual o estado de ansiedade de 1 a 10, perguntava a Dr.ª Íris. Durante a terapia estive sempre no 2 mas naquele momento a coisa estava a fugir para o 3, hum…4.

Entrámos no avião e fomos alegremente cumprimentados pela tripulação que já sabia para o que íamos. Era um voo normal e não ia cheio. Apertar os cintos, respirar e siga. A descolagem é sempre o momento mais delicado, tinha as pernas a tremer. E pronto, estávamos a voar. Começámos a descontrair, a falar uns com os outros, a apreciar a vista. A equipa técnica foi toda connosco: o Comandante João Romão, a Dr.ª Cristina, a Dr.ª Iris e o Paulo, assistente de bordo. Transmitiram-nos todos muita força e muita tranquilidade.
Assim que a luz de apertar os cintos apagou, o Paulo disse-nos para nos levantarmos e andarmos um pouco. Levou alguns de nós à casa-de-banho para nos familiarizarmos com os barulhos e com as luzinhas (a Ana, uma das minhas colegas da terapia, sempre que viaja não vai à casa-de-banho e já chegou a aguentar 8h com a bexiga cheia).

Era engraçado observar o ar perplexo dos outros passageiros. Parecíamos uma excursão de putos, a falar uns com os outros, a andar pelo avião, a tocar nos botões, a ir e vir da casa-de-banho. Às tantas, eu que quando viajo vou sempre sentada com o cinto posto, ponho-me de joelhos em cima da cadeira e viro-me para trás para a cavaqueira. Senti-me mesmo feliz e descontraída. Eu de joelhos numa cadeira do avião. Quem diria?
A viagem passou a correr, foi basicamente descolar e aterrar. Ainda fomos ao duty free do aeroporto de Madrid comprar algo que comprovasse termos lá estado – para os mais incrédulos. Comprei um pack com 6 Toblerone. Estivemos lá 20 minutos e voltámos para Lisboa. A viagem também correu muito bem e vínhamos todos bem-dispostos. A aterragem em Lisboa foi fenomenal e estava calma, o que me permitiu apreciar a beleza da cidade à noite.

Pela 1ª vez voei descontraída e soube apreciar o momento.

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